Blog de DHJUPIC
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Hélio Gouvêa é da OFS Fraternidade Nossa Senhora das Graças, São Gonçalo-RJ, Coordenador de Presença no Mundo do Regional Sudeste II (RJ e ES) e compartilha conosco sua missão no cuidado da nossa casa comum.

Basta nos colocarmos na caminhada, e o caminho vai sendo revelado todo dia através dos irmãos e irmãs, que caminham com o Altíssimo e Bom Senhor.
Há 14 anos, fui eleito, no Regional Sudeste II (RJ e ES) da OFS, para coordenar o serviço do COODHJUPIC (Coordenação de Direitos Humanos, Justiça, Paz e Integridade da Criação), e muita coisa mudou desde aquele dia.
Em 2016, fui novamente eleito para o mesmo serviço, que agora chamamos de Presença no Mundo. Isso mesmo! Esse serviço é responsável por incentivar, viabilizar, criar meios e condições para a Presença de nossas fraternidades locais nas realidades humanas, ecológicas, sociais, enfim o que chamamos de Ecologia Integral e cuidado com a Casa Comum.
Primeiro passo dado foi nos unir ao Koinonia e, durante os jogos olímpicos na praça da Cinelândia, realizarmos a Vigília da Dignidade, que possibilitou o encontro entre diferentes grupos e religiões em favor de causas comuns, como tolerância, solidariedade e justiça. Foi possível reviver o encontro entre Francisco e o Sultão através do Frei Alamiro e do Sheikh Adam.
E o caminho ia, aos poucos, se revelando. Em outra ocasião, foi em missão, nas terras de Campos dos Goytacazes e Cardozo Moreira, no estado do Rio de Janeiro, em companhia da CPT (Comissão Pastoral da Terra), em preparação a XV Romaria da Terra das Águas, cujo tema era: "Das Terras e das Águas feridas brotam clamores por Justiça". Nós nos deparamos com diversas situações sofridas pelo povo da terra em seus assentamentos, acampamentos e quilombos, e tudo isso culminou em um grito uníssono no dia da Romaria pelo direito do trabalhador do campo e pela proteção do rio Paraíba. Verdadeira escola para irmãos e irmãs da OFS.
E mais e mais caminhos abriam-se sobre nossos pés. A realidade urbana vivida pela maioria de nossas fraternidades precisava ser revisitada. Assim, em conjunto com o regional da CFFB (Conferência da Família Franciscana do Brasil), o Altíssimo nos levou à favela Rocinha. Termo favela que muitos moradores nos lembraram de utilizar para que não fossem colocadas máscaras na realidade social de esquecimento pelo poder público. E por três dias, foi possível viver a realidade dessa comunidade e entender sua mística, luta, beleza e poesia. E realizamos o Capítulo das Esteiras, em forma de missão, nessa comunidade de nordestinos, em sua maioria, que vivem distantes de suas origens, que se reinventam todos os dias, escrevendo novas páginas em suas histórias de resistência e resiliência. Todos nós,franciscanos e franciscanas, saímos mudados desses dias e conseguimos manter nossos "nós" bem apertados em um grupo permanente de missão para reeditar, em 2017, esse encontro com os nossos irmãos e irmãs.
E, caminhando, agora, nos preparamos para o nosso Fórum Franciscano de Ecologia, que celebraremos em julho, e terá como tema: “Mercantilização da Natureza. Como cuidar da Casa Comum?” Traremos para o Rio de Janeiro as pautas da transposição do Rio São Francisco, com o amigo Roberto Malvezzi (Gogó); da mineração, com nosso irmão menor Frei Rodrigo Peret; e do Cuidado com a Casa Comum, com a nossa irmã Moema Miranda. Eles nos ajudarão a dar novos passos nesse caminho.
E muitos e muitos passos surgem todos os dias através dos irmãos e irmãs, que revelam, assim, a vontade do Altíssimo e Bom Senhor. Parafraseando nosso Seráfico Pai: Vamos começar a caminhar novamente, porque até agora pouco ou nada andamos!

--> Paz e Bem!




Memórias e lutas –Velho Chico

Neste breve relato escolho abordar o Rio São Francisco a partir das minhas memórias e lutas.
Ribeirinho do Velho Chico, desde o ventre de minha mãe, são suas águas que correm em minhas veias e, desde criança, esses olhos contemplam tamanha beleza. Era bem cedinho, acordava animado e ia tirar água de dentro da canoa em dias de chuva. Era misterioso e ainda é. Sempre que estou em suas margens a espera de um barco, faço uma prece e sinto o desejo de tirar as sandálias e pisar suas águas. Pisar para sentir, não para maltratar.

Recordo uma grande cheia do Rio. Águas que transbordavam o Cais. Fantástico. Fui crescendo e tomando conhecimento de sua importância. Não é só água, mas também terra, fauna, flora, é cultura dos povos. Ao fim de reuniões da fraternidade de Penedo, ao som de um violão, nas margens do Velho Chico, a música parecia desafinar a cada triste pedaço de terra que surgia onde anteriormente era água. Ouvia comentários nas rádios e presenciava relatos saudosos da vitalidade do Velho Chico, Opará (Rio - Mar) dos indígenas.

Através da Articulação Popular São Francisco Vivo, entre romarias e encontros populares, descobri um espaço de mística e luta. A medida que descobria sua extensão e beleza, ia alcançando realidades diferentes, conhecendo o rosto do povo ribeirinho e descobrindo também rostos e nomes dos corresponsáveis pela atual situação do Rio. Aí começa a dimensão da luta da minha caminhada. Denúncias! Protestos! Reuniões! Audiências públicas! Campanhas! Estudos! Pesquisas! E mudança de Vida!

É verdade que querem e estão transpondo suas águas! Dados e mais dados! Uso múltiplo das águas? Povos afetados? Hidrelétricas? Desmatamento? Na matemática, é como uma série infinita de termos que converge para a atual realidade. Ah, mas aqui nesse relato me esforço em expor minhas mais belas recordações. Mas como dissociar as mais belas experiências da triste realidade do Velho Chico? Sou ou não sou parte d’Ele? Suas dores são também minhas dores! Falam em redução de vazão, vendem a transposição como quem vende barato qualquer mercadoria. É preciso educar/conscientizar sempre a população, mas também é preciso melhorar o discurso. Tratar com justiça histórica e socioambiental esse importante Rio. “É preciso estar atento e forte”.

Quero ainda vibrar com a chuva, com a cor marrom de um Rio correndo e misturando a terra, dando o verde das plantas e alimento aos peixes e aves. Quero ver crianças nadando. Quero recordar minha infância. “Corre um boato na beira do Rio: que o Velho Chico pode morrer”, assim, diante dessa realidade, finalizo recordando parte do “Estatuto do Velho Chico”, poema de João Filho que declamei no IV Encontro Popular da Bacia do Rio São Francisco em Bom Jesus da Lapa/BA: “É verdade que jamais foi negado a boca alguma saciar a sede nessas nascentes, porém, agora faz-se necessário primeiramente irmanar-se com o Espírito de sua correnteza e, somente depois, provar de sua Essência”
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Mariana Santos é Secretária Local de DHJUPIC da Fraternidade Nossa Senhora de Fátima, Campo Grande-MS. Mariana participa do Projeto de Coleta Seletiva da Paróquia Nossa Senhora de Fátima e partilha a experiência vivida em fraternidade no cuidado da nossa casa comum.

Projeto Reciclagem

Origem: Diante das Campanhas da Fraternidade dos anos consecutivos de 2016 e 2017, com temas voltados para com o cuidado com a casa comum, o conselho pastoral da comunidade N.S. Fátima resolveu implantar o sistema de coleta seletiva.

Como? A conscientização dos leigos foi de suma importância para a efetivação do projeto. Outrossim, foi ressaltado sobre a importância dos objetos serem recolhidos de forma correta, e reaproveitados gerando um fundo financeiro para cobrir gastos da comunidade, evitando assim a poluição do meio ambiente.

Onde? Foi inaugurado no ano de 2016 o espaço para coleta e seleção do lixo reciclável, sendo estes preparados e vendidos para empresas destinadas a reciclar.

Como funciona? Diariamente, a comunidade, incluindo alguns de nossos jufristas, entregam o lixo no espaço da igreja e voluntários " põem a mão na massa" separando-os por tipos: metais, plásticos moles, plásticos duros, papéis brancos e demais papéis. Sendo assim descartados vidros, equipamentos eletrônicos e outros, entregues indevidamente, pois não há compradores para esses em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

Em contrapartida, vê-se ainda infelizmente um descaso de alguns, pois há uma pequena quantidade de pessoas que se voluntariam para ajudar na separação do lixo, que requer mais ou menos uma hora por dia.


--> Mariana Santos, DHJUPIC